terça-feira, 30 de julho de 2013

O desenho das salas de treinamentos corporativos - Parte 1

As áreas e salas podem influenciar nos resultados dos treinamentos corporativos? Existe a melhor área ou a melhor configuração para treinamentos dedicados a adultos e realizados dentro de empresas? Devemos escolher um tipo de área de uma configuração específica conforme o tema a ser trabalhado, conforme o conteúdo programático e até mesmo conforme o perfil do público alvo?
Nesta sequência de artigos discorreremos sobre este assunto com um olhar crítico sobre cada tipo de ambiente e configurações, sempre à luz da andragogia. Pretender provocar um repensar sobre esta questão não a encarando como o pilar de sucesso de um treinamento corporativo, mas como um relevante aspecto que devemos levar em conta em nossos eventos com adultos.

As áreas de treinamentos corporativos não podem mais se restringir àqueles auditórios nos quais o palestrante se coloca em um patamar acima dos participantes e se posiciona de maneira distante, como se fosse um deus do Olimpo.  Uma entonação correta ou um bom sistema de som suprem a distância em casos deste tipo fazendo com que a voz do Instrutor chegue a todos. Mas só a voz... 
Este formato atualmente ainda tem valor para casos especiais. São casos de apresentações onde se deseja pouca ou até mesmo nenhuma interação direta com os participantes. Bons trabalhos podem ser apresentados em layouts deste tipo. Palestrantes sentados em volta de uma mesa ou atrás de um púlpito podem fazer bons trabalhos e boas apresentações. Isto vale para conferências e mesas-redondas, por exemplo, que podem ser também aplicadas em excelentes dinâmicas de grupo com os colaboradores no papel de palestrantes. Dinâmicas de painel também podem ser trabalhadas em salas de treinamento do tipo “auditório”. 
A desvantagem de ambientes desenhados de tal maneira é o trânsito difícil do instrutor e dos aprendizes. Trânsito que fica restrito aos corredores laterais de entrada/saída e a um outro intermediário. Também, muitas das vezes com cadeiras na forma de longarinas e presas ao piso, tais ambientes não permitem a reordenação do layout para exercícios de dinâmicas de grupo. 
O instrutor, muitas vezes, desce do palco, e outras vezes sobe e desce degraus de anfiteatros com o objetivo de forçar uma aproximação com os participantes.

Ambiente no qual, o instrutor tenha de se posicionar acima ou abaixo do nível dos alunos e onde o trânsito entre os alunos fique sacrificado, exige muito do palestrante e o resultado do treinamento – a sua efetividade – poderá ser prejudica pelo ambiente! 
Em layouts assim, o instrutor que aplica a andragogia deverá investir muito no processo de sensibilização que antecede o treinamento propriamente dito. Existindo a possibilidade, deverá, previamente, “ir a campo” para tratar com alguns dos convidados a participar do evento; discutir com eles sobre o tema principal e saber das suas necessidades. Caso seja possível, deverá investir na aproximação com cada um dos participantes, também através de meios virtuais, utilizando uma pesquisa sobre as expectativas do treinamento; utilizando enquetes e outras maneiras de “esquentar o público”, antes do início (antes do dia) do treinamento propriamente dito. 
No que tange à arrumação da sala, e se possível, tentar abrir mais “ruas” de acesso também pode promover o “quebra-gelo” necessário em ambientes tão poucos calorosos. 
continua... 




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